Whoredom Scarlet House

Publicado: 15/10/2011 em Altruísmo Etílico Anarmônico

Adentrai príncipes, nobres cavaleiros, virtuosos de toda a espécie;
Adentrai andarilhos errantes, homens sem rostos, vagabundos de todos os cantos;
Por toda a beleza da estética aqui jáz as maravilhas da ilusão…
Não se apresentai a porta, nomes aqui, não há valor.
Adentrai!

Prostitutas da terra, eis seu lugar;
Teus movimentos perpétuos aqui são adorados.
Santas covardes adentrai-vos…
Desvelai a face de teus desejos,
erguei seu santo livro e gritai em êxtase.
Adentrai!

Afortunadas, que aguardam sua vez ao trono;
Deixai o prazer do pensamento futuro de seus senhores,
enquanto a morte não os abate, troca seu cetro por falos.
Experimente conosco o prazer irreal de uma fantasia.
Adentrai!

Todos com suas coroas de metais,
sejam bem vindos.
Aqui todos são reis diante a mesma imagem de glória.
Glória de toda redenção infundada.
Adentrai!

Mercadores de fé, aqui está o teu refugio;
Traga mercador contigo tuas ovelhas,
o gozo a elas prometido, aqui transborda.
Regojizai entre nós com teu rebanho.
Adentrai!

Adoradores do amor lascivo e terno,
venha aos seus se ajuntar.
Abençoados pelo anjo de Gomorra,
que todo vosso amor possa aqui se manifestar.
Adentrai!

Cocheiros enfadados na dúvida,
inerente em todo encruzilhada,
descançai vossa visão dual na unicidade de nossa dança,
nossas dançarinas responde certamente a vossas esfinges.
Adentrai!

Juízes putrefatos na corrupção,
deixem que nossas foices aqui o ceguem.
No vazio da escuridão do teu futuro,
está a inefabilidade no equilíbrio de teu julgamento.
Adentrai!

Covardes, Covardes, Covardes!
Vós que não ousam, mas se escondem por detrás da luz;
Encontre na cama de nossas prostitutas,
a iluminação buscada na sombra das cavernas.
Adentrai!

Jogadores de todo mundo,
ao som de nossos Carmina Burana,
jaz sua sorte…                                                                                                                                                    Aqui todo dia sairás vencedor
na aposta dos quatro.
Adentrai!

Luxúria sede conosco em nossa casa,
aqui lhe aguardamos em um altar imaginário,
onde a coragem forja castiçais que sustentam
a chama da tua sabedoria.
Adentrai!

Vós que nos oceanos do universo finito
mergulham em direção infinita,
nossas piscinas são mais profundas.
E aqui ninguém se afoga,
todos aprendem a nadar.
Mergulhadores,
Adentrai!

Temida do mundo em silêncio,
resguarda tua arte conosco,
deixe sua dança nos encher de êxtase,
em teu beijo frio
encontraremos o que nos foi negado.
Encontraremos o além de agora.
Adentrai!

Nossos bares têm mais doses,
Profissionais em intensas misturas
embriaga-nos no sangue dos santos,
Sedentos do mundo deserto,
Adentrai!

Vem com tua flauta,
vem com teu odor,
vem com tua liberdade,
Deus Chifrudo!
Vem aqui nos libertar!
Pan, Pan, Pan…
Adentrai!

Nessa casa nada é deserto!
Tudo vibra ao som de nossos músicos embriagados.
Tudo é destruído e construído em cada nota musical.
Aqui não há torres nem prisões.
Fugitivos do mundo,
Adentrai!

Nessa casa tudo é infinito,
olhai a abóbada de nosso teto e verás.
Nosso telhado são todas as estrelas do céu,
somente para nós,
filhos da serpente,
é que elas continuam a brilhar!
Reféns do mundo,
Adentrai!

Olhai a cor de nossas paredes,
pintadas de ouro rubro,
escarlate e oculto!
Isso é vida.
Aqui quem as pinta,
nada são senão poetas.
Todos que temeis os mistérios,
aqui não há mistérios.
Esses mistérios são nossos inimigos…
Adentrai!

Crianças do mundo,
despi-te de todo mentira,
brincai com nosso astro rei,
que aqui é tão vassalo quanto tu e eu.
Adentrai!

Dor, pecado, restrição,
tortura, medo, ameaça,
Ignorância e moral,
Aparta-te!
Nossa porta está fechada a vós.
A agonia da cruz que vieste não nos pertence.
Desce tu, dessa altura que os homens ignóbeis o colocaram
e se divirta como criança entre nós,
transfigure o cordeiro em besta
e seja conosco…
E assim,
Adentrai!

Ao silêncio que a todos ensurdece,
nossas portas são fechadas.
E a bailarina continua entre os elementos,
A dançar,
a dança cósmica das eras.

Tudo agora é silêncio, inocência e êxtase!

Marques Patrocínio

Comentários
  1. [...] post é uma pequena homenagem ao inigualável   Marques Patrocínio  ,  Alice Valente  , Steven Miesel e sua arte-fotografia [...]

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